RESUMO: A contenção e a anestesia de animais silvestres são extremamente importantes para os médicos-veterinários que pretendem atuar ou que já atuam nessa área. Entretanto, antes de administrar a anestesia, é fundamental conhecer a farmacologia dos anestésicos e os aspectos biológicos relacionados às peculiaridades anatômicas, fisiológicas e comportamentais das espécies que serão submetidas à contenção.

O objetivo desta pesquisa foi avaliar parâmetros como frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR), temperatura (T°), relaxamento muscular, reflexos (palpebral, ocular e pedal) e padrão respiratório em quatro protocolos anestésicos: cetamina 5%, na dose de 30 mg/kg, combinada com xilazina 2%, na dose de 2 mg/kg; cetamina 5%, nas doses de 15 mg/kg e 20 mg/kg, combinada com diazepam 1%, na dose de 1 mg/kg; diazepam 0,5%, na dose de 5 mg/kg, administrado 15 minutos antes da administração de isoflurano; e o uso isolado de isoflurano em papagaios (Amazona sp.) mantidos no Parque Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, São Paulo.

Foram utilizados 11 animais: três submetidos ao protocolo de cetamina combinada com xilazina, três à cetamina associada ao diazepam, três ao diazepam antes do isoflurano e dois ao uso isolado de isoflurano.

Os resultados desta pesquisa demonstraram que, com o uso de cetamina combinada com xilazina nessa dose, era obtida apenas uma sedação superficial. Com a dose suplementar de cetamina e xilazina, o animal atingiu um plano anestésico moderado, porém ocorreu depressão respiratória.

O uso de diazepam combinado com cetamina 5%, na dose de 15 mg/kg, é recomendado apenas para procedimentos menores. A recuperação foi ligeiramente mais rápida e apresentou menor depressão cardiorrespiratória em comparação ao uso de cetamina combinada com xilazina.

O diazepam 0,5%, na dose de 5 mg/kg, administrado antes do isoflurano, não permitiu a intubação do animal; entretanto, serviu para reduzir o estresse decorrente da contenção, sendo necessária uma menor concentração de isoflurano para a indução. Observou-se apneia com o aumento da concentração de isoflurano, mesmo com o uso prévio de diazepam.

Com o uso isolado de isoflurano, o animal atingiu um plano anestésico de moderado a profundo, o que possibilitaria a realização de procedimentos mais invasivos.

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