https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJAER/article/view/14921/12322

 

A tartaruga-verde (Chelonia mydas) a espécie de tartaruga marinha que ocorre com maior frequência
na Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe e Unidades de Conservação do Mosaico
Jureia-Itatins, utilizando regiões costeiras do continente e ilhas da região como área de alimentação.
Apresenta uma alteração de habitat durante o seu desenvolvimento ontogenético. Os indivíduos
migram do ambiente pelágico, estágio que apresentam uma dieta onívora, para o ambiente nerítico,
cuja dieta tende a ser preferencialmente herbívora. Contudo, estudos recentes têm sugerido que tanto
a mudança de hábitat e, consequentemente, a alteração da dieta pode ser facultativos. Este trabalho
teve o objetivo de caracterizar o comportamento alimentar das tartarugas-verdes no município de
Peruíbe, litoral Sul de São Paulo. A coleta de dados foi realizada no período de outubro/2018 a
outubro/2019, com o monitoramento das praias e o estudo dos exemplares encontrados. Este trabalho
foi aprovado pela Comissão de Ética sobre Uso de Animais (CEUA/IBIMM) nº 008/18 e pelo Sistema
de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio/MMA) nº 50132. No período,
foram coletados 7 indivíduos que foram submetidos aos procedimentos de biometria, necropsia e
coleta do conteúdo alimentar para verificar sua composição. Foram separados os constituintes
orgânicos e inorgânicos e os exemplares de macroalgas encontrados nas amostras de esôfago e
estômago foram submetidos a uma segunda triagem, utilizando como critério a morfologia e a
coloração. Procedeu-se ao cálculo da frequência em massa de cada filo de macroalgas. Os resultados
mostraram que os indivíduos eram juvenis com CCC médio 36,33 cm e apresentaram comportamento
alimentar predominantemente herbívoro, pois não havia itens alimentares provenientes de origem
animal, consistindo apenas em fragmentos de concha de moluscos e exoesqueletos de crustáceos, cuja
ingestão pode ter sido acidental. O levantamento total de macroalgas presentes no esôfago e estômago
foram Chlorophyta (42,76%), Rhodophyta (33,19%) e Heterokontophyta (24,05%), foi observada a
presença de diatomáceas complementando a dieta dos animais.